Maria Maria

"Ela tem um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta; Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta...
Ela é a dose mais forte e lenta, de uma gente que ri quando deve chorar, e não vive, apenas aguenta...
Ela tem força, raça, gana, manha, graça e sonho, e mistura a dor e a alegria...
Ela traz na pele essa marca e possui a estranha mania de ter fé na vida"

(Milton Nascimento)
14/03/2010



domingo, 3 de fevereiro de 2019

H O J E



COM A MALA QUASE ESVAZIADA
CAREÇO CADA VEZ MENOS
INTROSPECTIVA
SILENCIOSA
SOLITÁRIA
COM A ALMA FARTA
CHEIA DE PAZ
SEM SONHOS
SEM FUTURO
SEM PASSADO
VIVENDO UM DIA DE CADA VEZ
COMO SE FOSSE O ÚLTIMO
O ÚLTIMO DIA
NÃO LEVO MUITAS COISAS
NÃO VOU DEIXAR SAUDADES
NEM SENTIRÃO MINHA FALTA NA VERDADE

RECIFE, Ipsep, 3/2/2019

quarta-feira, 2 de março de 2016

MAPA

Precisei fechar a porta do mundo,
pra viajar em mim mesma.
São curvas, labirintos, túneis,
campos, florestas, lindas plantações.
Sou um mapa a decifrar.

De tantos caminhos que já andei, sinto,
o final nunca hei de chegar!
O meu mundo é vasto demais
e secreto, e seguro, e insano,
e cheio de pedras.

Giovanna Guterres
29/02/2016
Boa Vista, Recife

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

NOVO SÉCULO - para Juareiz Correya

Setembro é o mês em que meu companheiro Juareiz Correya chegou a este planeta com sua poesia, mais exatamente no dia 19. Penso que devo fazer uma homenagem ao homem que admiro como Poeta, como gente simples e generosa, nascido em uma terra sofrida que ele tanto ama, a nossa poética Palmares. Hoje publicarei este poema meu, simples, mas feito com muita verdade para fechar com chave de ouro o presente que dediquei a ele todos esses dias de setembro. É minha demonstração de amor por ele e pela sua bela e irreverente poesia. É o meu presente para ele, que espero possa dividir com todos os meus amigos. (30/9/2015)

NOVO SÉCULO
para Juareiz Correya
Que venha setembro,
E QUE PASSE...
Que venha outubro, novembro,
e dezembro.
Que venha janeiro
RENASCER NOVO SÉCULO.
Que importa o tempo,
SE TENHO A TI TODAS AS MANHÃS?
Tenho tuas carícias,
teu calor todas as noites,
TODOS OS DIAS!
Tenho o teu CORAÇÃO em minhas mãos,
E O PRAZER DE TE VER SEMPRE,
independente de qualquer circunstância,
ALUCINADO pela VIDA!
26/9/2015 - Giovanna Guterres

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

NADA


Águas que lavam telhados das casas
som incessante que aflige meu coração
pessoas que correm após o trabalho
Ninguém vende nada!
Nada no bolso, nada nas mãos.
Dias que findam com águas que escorrem nos asfaltos levando lixo,
                                                                                              levando tudo.
Homens, mulheres e crianças
numa longa espera por transporte nas avenidas vazias.
A cidade desolada chora de agonia.
Corpos molhados, braços arrepiados tremem de frio.
Pés encharcados, doloridos, caminham na contra-mão.
O trânsito violento não perdoa!
Carros de luxo, distantes de tudo,
ninguém vê mãos estendidas,
ninguém quer saber de bocas famintas.

(Boa Vista, Recife, 17/8/15)
GiovannaGuterres



quinta-feira, 16 de julho de 2015

CHOVE E CHORA O RECIFE


Águas que lavam telhados das casas da minha rua. Som incessante que aflige o meu coração.
Penso nas pessoas que correm para suas casas após um dia de trabalho em que não se vende nada, não se ganha nada, nem esperança !
Dias de terror que terminam com águas que escorrem nos asfaltos lavando e levando tudo. Homens, mulheres e crianças que esperam transporte nas avenidas sombrias de uma cidade desolada pela sujeira, pela lama e pela incerteza. Os estômagos pedem por um pão com um café quentinho... Os braços arrepiados, molhados, tremem de frio. Os pés encharcados não sabem mais que direção seguir. Dos olhos das mulheres descem lágrimas. Como chuva.
Mais um dia de sacrifício, de quase dor, que termina na escuridão do esquecimento dos donos dos negócios, do trânsito e da cidade, como se fossem deuses. Eles estão distantes de tudo isso, em seus lares confortáveis, mesas onde não falta comida, cheias e coloridas, contando o dinheiro negado ao pão com café das almas famintas, cansadas, quase perdidas no asfalto do Recife que chove e chora.
(Boa Vista, Recife / 15 de julho de 2015)

quarta-feira, 4 de março de 2015

A FÉ DE UMA CRIANÇA


- Alô vovó?
- oi meu amor!
Fiquei na expectativa, meu netinho nunca tinha ligado para mim no meio do dia, durante a semana.
- Tá tudo bem Brunno? Você está preparado para amanhã?
- Mais ou menos vó.
- Como assim Brunno?
- Tô meio calmo, meio com medo.
O meu coração ficou apertado e tentei passar para ele uma tranquilidade que naquele momento só Deus podia me dar.
- Meu amorzinho, o que você está sentindo, todos nós sentimos quando vamos para o médico. A gente chama isso de ansiedade. Mas olha... você já viu uma imagem de Jesus cercado de criancinhas?
- Não vovó, já vi só a imagem de Jesus.
- Pois tem uma imagem dele cercado de crianças, e sabe porquê? Porque quando ele veio ao mundo, ele falou que as crianças eram as pessoas que mais alegravam o coração dele. Ele falou que as crianças são os filhos mais queridos dele. Brunno, Jesus nunca abandona as crianças, e se você quiser ter certeza disso, hoje, antes de dormir, diga bem baixinho só pra Jesus ouvir:
 - Meu Jesus, faça com que amanhã tudo dê certo e que eu não tenha medo de nada.
- Eu fiz isso agorinha vó.
- Que bom Brunno. Faça sempre que bater um medinho e faça antes de dormir também pra você ter um sono bem tranquilo.
- Mas a gente tem que dar alguma coisa a Jesus pra isso acontecer?
- Brunno, você sabe o que é fé?
- Confiança?
- Isso, muito bem! É só isso que Jesus quer. Ele quer que você tenha muita confiança na hora de falar com ele. Ele quer que você tenha a certeza que de lá do céu ele está te ouvindo, e tenha certeza, ele fará tudo dar certo amanhã.
- Mas vó, e se mesmo assim eu ficar com medo amanhã?
- Brunno, quando você faz alguma coisa errada, o seu pai diz assim pra você:
- Brunno, você não é mais meu filho. Vá embora, eu não amo mais você! Seu pai faz isso?
- Não vó!!!
- Tá vendo? Jesus é o nosso Pai maior meu lindo, você acha que se, mesmo pedindo, num certo momento você sentir que sua confiança está fraquinha Jesus vai virar as costas pra você e não vai te atender?
- Acho que não vó!
- Tenha certeza que não meu amor. Todos nós temos medo Brunno, e ele entende essa nossa fraqueza e principalmente quando se é uma criança. Amanhã você vai para o médico mostrar seu bracinho, ele vai olhar e vai decidir se você fica no gesso ou se vai precisar fazer uma cirurgia. O que o médico decidir será com o consentimento de Jesus meu amor, acredite, Jesus vai decidir o melhor para que você fique com o braço bom logo e se livre desse gesso chato.
- Mas eu tenho certeza que não vou fazer uma cirurgia amanhã vó.
- Tá vendo? É essa certeza que você tem que ter o tempo todo. Isso se chama fé. Essa fé vai atrair coisas boas, vai fazer a sua mamãe ficar mais calma, o seu papai ficar mais calmo e vai fazer o médico agir da forma mais correta possível para que você fique bom logo. E tenha certeza meu amor, vovó estará o tempo todo falando com Jesus pedindo para que tudo de melhor aconteça para você amanhã ta certo?
- Tá bom vó.
- Agora esqueça seus medos e vá brincar com seu irmãozinho. Um beijo bem grande e vovó te ama tá?
- Tá vó. Tchau vó. Beijo.
- Beijos Brunno!
No nosso natal, fizemos uma grande comemoração pela graça recebida e pela coragem do nosso homenzinho de 8 anos. Em volta da mesa agradecemos ao nosso Jesus Cristo pela sua bondade. Brunno ficou apenas dois meses no gesso e não precisou fazer a cirurgia.

Recife, Boa Vista, 
02 de janeiro de 2015






terça-feira, 8 de outubro de 2013

AINDA É TEMPO



Algumas pessoas ainda percebem ao amanhecer, o azul do céu
E alegram-se com o frescor da manhã
Com o sol que ilumina as ruas, árvores, praças, calçadas
E vão para o mar, para o parque,
Ou simplesmente debruçam na varanda e sentem dentro de si uma alegria especial tomando todo o seu corpo,
E libertam-se do denso e viajam para o etéreo
E flutuam para longe do barulho dos automóveis
E deixam-se levar pelo vento frio que a natureza nos dá
E observam crianças brincando
Casais namorando
E sentem falta de uma bela música
E cantam, dançam, e dão graças a vida.
Giovanna Guterres
(Boa Vista, Recife, 08/10/2013)